quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Canção Pra Você Viver Mais



"Não tenho muito tempo
Tenho medo de ser um só
Tenho medo de ser só um
Alguém pra se lembrar
Alguém pra se lembrar
Alguém pra se lembrar

Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais..."
(Pato Fu)

Saudades de todas as saudades que tive. E de todas que não tive também. Como é bom deixar as lágrimas rolarem pelo rosto só pela emoção de uma música.

Marry You



Tirada do álbum perfeito pra uma noite de insônia.
(B.B.King & Eric Clapton, o álbum é "Riding With The King")

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Pequenas reflexões das três pras onze

Não, eu não sou estudante de curso nenhum. Não estou no 2º ano de porra nenhuma. Não sou gremista nem colorada. Não sou meiguinha nem lindinha nem cheia de amiguinhos. Não sou apaixonada por música. Não sou viciada em esmaltes, ou em Coca-Cola. Sou mais do que uma definição. Sou mais do que qualquer coisa que se possa colocar entre aspas. Minha criação faço eu. Nada que é de outro me determina, me define, me delimita.
Ainda bem.

"Eu era mal humorada ...
quando nasci, sou mal humorada hoje e serei mal humorada pelo resto da minha vida…que alivio!"
(Lucy Van Pelt)

Caminhos, Escolhas, Destinos Diversos

You know, nos envolvemos em diversos planos, nos cercamos de muitas certezas e pouco espaço damos à vida para que ela aja livremente pelos seus caminhos, como aquele fio d'água que vai desenhando o chão e que teimamos em desviar o curso. Mas algumas vezes é impossível impedir o destino de desenhar sua própria estrada e o que nos resta é aceitar os seus traços e descobrir que, felizmente, o caminho do tempo é muito generoso e pode ser muito melhor do que jamais sonhamos. Nos ocupamos tanto com tantos planos e metas e objetivos que acabamos esquecendo dos presentes diários que a vida pode nos dar, acabamos nos esquecendo dos presentes que o nosso próprio corpo pode nos dar, mesmo quando tudo parece, se não impossível, ao menos muito improvável. O destino se apresenta e agora somos nós que temos que mudar o nosso curso para permitir que ele entre em nossas vidas, agora somos nós o risco d'água. O destino nos dá pequenas e sutis chances, cabe a nós saber quando permitir que elas entrem em nossas vidas. Todos os dias, novas chances. Todos os dias, a cada momento, bate à porta a chance de uma vida nova.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Quem Te Viu, Quem Te Vê



"O meu samba assim marcava na cadência os seus passos
O meu sonho se embalava no carinho dos seus braços
Hoje de teimoso eu passo bem em frente ao seu portão
Pra lembrar que sobra espaço no barraco e no cordão"

Meu trecho favorito, queo Chico excluiu da música.
Hoje o samba saiu, lá lá lá iá.

Recorte

"Apesar dessa incompletude de nossa investigação, arrisco-me a fazer algumas observações conclusivas. O programa de ser feliz, que nos é imposto pelo princípio do prazer, é irrealizável, mas não nos é permitido - ou melhor, não somos capazes de - abandonar os esforços para de alguma maneira tornar menos distante a sua realização. Nisso há diferentes caminhos que podem ser tomados, seja dando prioridade ao conteúdo positivo da meta, a obtenção do prazer, ou ao negativo, evitar o desprazer. Em nenhum desses caminhos podemos alcançar tudo o que desejamos. No sentido moderadoem que é admitida como possível, a felicidade constitui um problema da economia libidinal do indivíduo. Não há, aqui, um conselho válido para todos; cada um tem que descobrir a sua maneira particular de ser feliz. Fatores os mais variados atuarão para influir em sua escolha. Depende de quanta satisfação real ele pode esperar do mundo exterior e de até que ponto é levado a fazer-se independente dele; e também, afinal, de quanta força ele se atribui para modificá-lo conforme seus desejos. Já neste ponto, a constituição psíquica do indivíduo, à parte das circunstâncias externas, será decisiva. Aquele predominantemente erótico dará prioridade às relações afetivas com outras pessoas; o narcisista, inclinado à autossuficiência, buscará as satisfações principais em seus eventos psíquicos internos; o homem de ação não largará o mundo externo, no qual pode testar suas forças. Para o segundo desses tipos, a natureza de seus dons e a medida de sublimação instintual que lhe é possível determinarão onde colocará seus interesses. Toda decisão extrema terá como castigo o fato de expor o indivíduo aos perigos inerentesa uma técnica de vida adotada exclusivamente e que se revele inadequada. Assim como o negociante cauteloso evita imobilizar todo o seu capital numa só coisa, também a sabedoria aconselhará talvez a não esperar toda satisfação de uma única tendência. O êxito jamais é seguro, depende da conjunção de muitos fatores, e de nenhum mais, talvez, que da capacidade da constituição psíquica para adaptar sua função ao meio e aproveitá-lo para conquistar prazer."

Freud, em O Mal Estar na Civilização

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Quando você me escreve cada palavra linda que você sabe bem que me escreve, cada frase linda que você desenha no papel, no guardanapo ou em mim, você sabe que eu gostaria de mostrar ao mundo todas as cartas e os guardanapos e todos os rabiscos que guardo espalhados pelo meu corpo de Teresa - lembra de Teresa, bem? -, mas eu bem sei que nunca lhe mostraria dessa maneira, não o deixaria nu em frente a todos os outros, principalmente pois digo nu quando o falo sentimentalmente, e não no sentido que normalmente atribuem à palavra, e a sua nudez sentimental é tão bonita, desprovida de pudores, livre dos constrangimentos dos olhos dos outros e  de tantas outras reprovações cheias de inveja, que eu teria até um certo ciúme de partilhar com tantos muitas vezes mal-intencionados tantas palavras de carinho e tantas partes de um eu-Teresa. Pois é meu bem, você sempre me avisou que felicidade incomoda e mais uma vez lhe dou ouvidos e olhos e razão e deixo de expor aqui mais das muitas palavras que gostaria de compartilhar, não por exibicionismo nem por provocação, que acredito que já saibas que não fazem muito parte do meu vocabulário muito menos da minha postura, mas dividir pela beleza e pela singularidade de versos tão bem arranjados, como muitas vezes já partilhei aqui inúmeros versos tão singelos sem que esses fossem endereçados à mim, mas pela sua essência apaixonada - e apaixonante -, que seria uma afronta nem ao menos cogitar partilhar logo aqueles versos a mim remetidos; cogitei e logo desisti da ideia, mais uma vez lhe darei razão.
Razão pois a vida vem sendo muito generosa conosco.
Razão, pois as tuas palavras são minhas.
E tuas.
E só.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Playlist













Pra ouvir numa terça à noite.

Frouxo

Tem nada - ou quase nada - no mundo que me deixe tão irada quanto homens frouxos. Nada que me deixe mais insuportavelmente irritada do que a combinação frouxidão (e sei lá eu se esse termo existe) mais irresponsabilidade. E hoje meu problema é particularmente com os homens.
Irresponsáveis, cretinos. E não, isso não é discursinho feminista nem algo que o valha. É pura ira pela classe masculina que, coitada, não tem, em 99,9% da sua composição, nem argumentos para se defender. Deixa eu me explicar melhor: há um conjunto de atitudes masculinas que vêm me irritando há algum tempo e eu pude observar como os homens são frouxos e até apelativos quando precisam de alguma coisa.
Enfim... Os homens são chorões feito crianças quando, por exemplo, estão precisando de uma nota pra não ir a exame e, pra conseguirem, não medem esforços na apelação: vale e-mail, vale viagem, casamento, mãezinha doente e até abordagem quase em tom de choro no meio dos corredores e vale também infernizar o meu final de semana para não precisar fazer uma provinha. Mulheres, salvo raríssimas exceções, conectam um neurônio no outro, assumem que não fizeram o suficiente, vão para a prova e fazem o que têm de fazer. Sem choro, sem fiasco nem cachorrinho morto.
Os homens são frouxos para assumir um relacionamento. Os homens são frouxos para manter um relacionamento. Os homens são ainda mais frouxos para terminar um relacionamento. Não têm coragem de falar a verdade e muito menos de valorizar sentimentos. Homens são uns frouxos quando cedem à pressão dos amigos e terminam com as namoradas pra "curtir o verão". Homens são irresponsáveis quando a única equação que surge à cabeça é a quantidade de mulheres com quem deixam de ficar para estar com "uma só". Homens são ridículos quando não valorizam relações nem felicidade. Homens são estúpidos quando não percebem que, do outro lado de uma relação, não há só um corpo, um objeto: há uma pessoa, há um coração, há pretensões. Homens são medíocres quando tentam justificar todas as merdas que fazer com as mulheres com a velha esfarrapada desculpa do instinto.
Às mulheres, peço desculpas por tornar público um sentimento e, mesmo depois de pensar muito, perceber que não posso propor nenhuma solução para a estupidez masculina. Ao homens, que aprendam a enxergar relações como elas devem ser estimadas e não mais como ações numa bolsa de valores, como investimentos, objetos, como coisas.  Àquelas nós que, por um pouco de sorte e outro muito de critérios, temos a sorte da exceção masculina, não nos deixemos nunca sucumbir aos pensamentos degradantes, frouxos e estúpidos com os quais os homens ao nosso redor muitas vezes nos contaminam; valorização, cuidado e carinho não têm sexo. Aqueles que, por obra da vida ou por obra de si mesmos, se tornaram estes animais sem sensibilidade, "perdoai-os, Papai do Céu, pois eles não sabem o que fazem".

A vida gratifica.
A vida ensina.
E o tempo muda tudo.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Eu queria falar sobre como as mulheres conseguem ser burras quando o assunto é amor. Queria falar sobre a capacidade que temos de nos entregar de corpo e alma. Queria falar que eu não consigo deixar de me chocar cada vez que vejo um homem aprontar com uma mulher que o ama. Queria dizer que não suporto ver mulheres se submetendo às mais diversas coisas a que se submetem em nome do amor.
Mas, mais que tudo isso, quero dizer que eu não sei dizer sobre nada disso.
Somos mulheres, puro coração.
E, já diria Djavan, "se errar por amor, Deus abençoa".
Assim nós esperamos.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Amor Bastante

quando eu vi você
 tive uma idéia brilhante
 foi como se eu olhasse
 de dentro de um diamante
 e meu olho ganhasse
 mil faces num só instante

 basta um instante
 e você tem amor bastante


Paulo Leminski
 
 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Chuva

O céu fechou.
Há tempos não observava espetáculo tão bonito através da minha janela.
Ah! Quero tomar banho de chuva
Acabou de soar o primeiro trovão
Logo os raios riscarão o céu de metálico
Brilho
E eu, na minha janela
Daria tudo por um raio
bem no meio da cabeça

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Your Latest Trick



Dire Straits.
Essa música me dá arrepios.

Ócio Criativo

Impossível criar algo quando não temos tempo para dar uma respirada o dia todo.
A cabeça precisa de ar fresco, respiração lenta e os pés para cima ao menos por vinte minutos.
Deve ser por isso que as pessoas não tem tempo de refletir sobre nada. Deve ser por isso que os sentimentos se atrofiam (e a cabeça também). Deve ser pela correria que perdemos o hábito de olhar à nossa volta.
Preciso de um tempo para pensar.
Todos os dias, eu funciono bem melhor quando tenho meia hora para encarar o céu.
Meia hora para me encarar no espelho.
Meia hora para olhar para dentro, para enfrentar meus pensamentos e questionar minhas emoções.
Preciso de um tempo precioso. Preciso, de verdade, de um pouco de ócio criativo.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Poema

A poesia está guardada nas palavras - é tudo que
eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as
insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios.

Poema, Manoel de Barros, em "Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo".

Cara de Pau


Não pretendia escrever nada hoje pela manhã. Mas me deparei com uma situação um tanto aborrecedora logo agora, tomando meu café com leite depois de (no máximo) quatro mal-dormidas horas. Hoje tenho que trabalhar o dia todo, tenho prova às sete e meia e ainda sou obrigada a dar de cara com essas coisas - e olha que eu nem tive que procurar. Não sei se me sinto ofendida ou lisonjeada. O fato é que uma menina desconhecida me visitou no orkut. Até aí tudo bem. Visitei o orkut dela de volta, logo agora. Ok, nada de anormal. Eis que, lendo a descrição do perfil, algo me soa estranho. Conheço essas palavras. Conheço essa pontuação. Conheço o itálico daquele P.S.. Conheço até mesmo o meu arrastado característico de fúria em cada uma daquelas linhas.
Ok. Meu texto foi plagiado. Sem dó nem piedade. Sinto uma dorzinha chata, apesar de ficar até meio contente que alguém além de mim ainda leia esse blog. Mas pô, custava nada acrescentar os créditos de quem realmente fez o trabalho, não é? Meio chato ter, além das ideias copiadas, cada uma das palavrinhas I-D-Ê-N-T-I-C-A-S, supostamente criadas por outra pessoa. Agora acho que sei bem o misto de orgulho - pois, ainda assim, alguém se identificou com as coisas que escrevo - e frustração que isso causa em quem cria, mesmo que seja um escritor de fundo de quintal tipo eu. Fiquei momentaneamente sem palavras. E sinto que todas elas podem estar prestes a ser roubadas.
E não, isso não é fúria. É só um pouquinho de frustração mesmo.

p.s. abençoado seja MESMO Freddie Mercury.
p.s.² não custa nada MESMO dar o crédito ali embaixo, né.

Planos

Fim do ano chegando e, para a maioria das pessoas, é essa a época de colocar o ano na balança e pensar o próximo na ponta do lápis. É em dezembro, já batendo à nossa porta, que formulamos toda aquela lista de uma ou mil coisas para começar a fazer ou deixar de fazer. São maus hábitos para se livrar, dietas para iniciar, metas a cumprir, poupanças a engordar, compras a fazer, mudanças, viagens, casamentos, filhos, livros para ler, lugares para conhecer, pratos para saborear, manequins para reduzir, etc etc etc. A única pena na listagem de todos os anos é que - além do fato óbvio que nunca cumprimos nem metade das pequenas metas que estipulamos a nós mesmos - nunca nos importamos em fazer apontamentos simples das coisas que não deixaremos de fazer. Para dois mil e onze, eu decidi fazer essa lista. Pensando bem, há muitas coisas que eu não quero deixar de fazer, muitas coisas das quais a rotina nem o cansaço podem se apoderar. Em 2011... Eu não vou deixar de entrar no chuveiro de roupas, quando der vontade. Não vou deixar de comer leite condensado na lata porque eu posso estar engordando. Não vou deixar de engordar meu guarda-roupas de personagens infantis. Não vou deixar de dançar no meio da rua, nem de cantar sozinha pela cidade. Não vou deixar de ser implicante com a minha mãe, nem vou deixar de mimar a minha irmã. Não vou deixar de comer papel. Não vou deixar de escrever as maiores bobagens que eu escrevo. Não vou deixar de ouvir muita música ruim. Não vou deixar de ouvir muita música. Não vou deixar de dar espaço aos meus pequenos acessos consumistas. Não vou deixar de olhar para o lado. Não vou deixar de sorrir para estranhos. Não vou deixar de dar doces para crianças que choram no ônibus. Não vou deixar de cuidar de algumas plantas. Não vou deixar de correr na praia com meu cachorro. Não vou deixar da minha vida de pequenas alegrias. Não vou deixar.
E se eu precisasse colocar em uma lista os meus planos para 2011, um pedacinho de folha já estaria mais do que bom.
Em 2011, serei trezentos e sessenta e cinco vezes mais eu.
Trezentos e sessenta e cinco vezes mais surtos, mais crises, mais felicidades e mais surpresas. Para o deleite e desespero do meu bem.
Trezentos e sessenta e cinco dias de olhos vendados e coração aberto.

E que venha dezembro.
Para o surto das compras de Natal.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Something like this

Alguns dias eu sinto que não presto pra nada. Nem o que eu tento produzir me tira da vala comum. Alguns dias me sinto tão mas tão mas tão impotente, queria gritar, espernear, esbofetear alguém só pelo prazer do tapa, mesmo. Alguns dias eu queria ser menos polida e menos tranquila, alguns dias eu queria que pequenos deslizes me tirassem da minha sanidade habitual, que algo cutucasse o meu eterno marasmo existencial e queria poder dizer todos os desaforos e até mesmo todas as coisas boas que eu tenho vontade de dizer. Alguns dias eu queria chegar no meu trabalho e poder abraçar as pessoas, sabe. Alguns dias eu queria deixar de ser eu mesma - aquela eu que todo mundo conhece para ser um pouco mais daquele eu que eu guardo sempre escondidinho só pra mim. Alguns tapas iam sair mas, surpreendentemente, alguns bons abraços apertados também.

para as paredes 004


Aí eu sinto falta de todos os amigos que eu não fiz. 
Sabe, bem, você sabe, sabe tão bem ou até melhor que eu, do quanto eu sou distante de todo mundo e como as pessoas foram sendo substituídas por músicas e livros na minha vida, meu bem, você sabe que eu sempre achei um desperdício de tempo ser simpático com todo mundo, sabe como eu sempre fui desconfiado e mal-educado com quase todos ao meu redor e isso se reflete basicamente na enorme coleção de ficções e na interminável lista de LP's e CD's que eu já ouvi e que muitas vezes ainda te surpreendem; cada disco se tornou um amigo, cada melodia me serviu de ombro em cada momento, cada acorde vibrou comigo uma diferente vitória ou me chorou uma derrota - e hoje eu não estou muito orgulhoso disso, dear. Hoje eu senti falta das coisas que eu não fiz seja pela teimosia, pelo humor ácido ou pela chatice que me é característica.
Você sabe como eu sou nostálgico e como em alguns dias as minhas melhores amigas músicas me encravam uma dor fina porém constante no fundo do peito e me fazem repensar e assim eu vivo repensando e refazendo e reestabelendo na minha mente dez mil diferentes planos que eu nunca cumprirei pois em dez minutos aparece outra amiga música que novamente me alegra (não muito, mas) o suficiente para me dissuadir da ideia de virar bonzinho e sair pela rua abraçando os outros e me esforçando para trazer para casa algum amigo que não seja de vinil nem que se conte pelo número de páginas/ E sabe, bem, eu não sei explicar porque eu mais tenho vontade de te escrever quando estou triste, ou nostálgico como prefiro dizer, já que a tristeza profunda não costuma se apoderar de mim há muito tempo, como gosto de me orgulhar de um certo equilíbrio interno no meu pequeno mar de solidão mas eu te escrevo sobre minhas nostalgias e saudosismos e pensamentos e reflexões talvez porque eu tenha a mais absoluta certeza de que é com você que a compreensão vem tão calma e tão certeira que eu me tranquilizo de ter alguém em quem eu tenha investido (e me orgulho disso).
Toca um beautiful jazz aqui em casa, apareça você por aqui, faça uma visita mas venha para ficar como você sempre fica, sabe bem, sua presença enfeita a minha bagunça de livros e músicas, silencia um pouco meus pensamentos melódicos e me auxilia a elaborar frases que não sejam citações de muitos dos meus amigos que me cercam empoeirados e meio abandonados dos meus cuidados - droga, não sou bom em cuidar nem de amigos inanimados -, mas você aparece e essa sujeira nuvem cinza e fina que me rodeia vai temporariamente embora. Você traz muita luz para essa casa. Você nem precisa trazer maçãs, nem jazz, nem livros, nem um vinho para olharmos para as estrelhas a noite toda. Traga apenas o seu coração que, do resto, eu me encarrego. 
Você faz falta todas as semanas, de segunda a terça, quando o único jeito de me compensar de tudo é recorrer aos meus amigos inanimados. Dusty Springfield nos ouvidos e alguma boa literatura nas mãos. Estou sempre esperando você voltar.
Você é a única falta das coisas que eu realmente fiz.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Hey Jude

Sempre fui apaixonada por essa música, Hey Jude. Mas ela começou a me emocionar de verdade no dia em que vi o Flash Mob Londres da música, que eu cheguei até a postar quando descobri (aqui, pra quem ainda não assistiu) e, depois, quando assisti o show do Paul McCartney "Live in Red Square", em Moscou (aqui), que mostrava milhares de pessoas cantando juntas - inclusive, no vídeo, aparecem pessoas chorando, emocionadas com a canção -, e aquele "nananana" que não precisa de fluência no inglês para fazer um belo coro. Mostrei para a minha irmã, que não era lá grande fã do Fab Four, e foi suficiente para que ela ficasse na mesma emoção que eu. Enfim, quando caí em mim, percebi que não podia mais nem cantar a música na rua que começava a ficar emocionada. Foi quando veio o show do Paul, e o acerto de que a Hey Jude (engraçadamente, a maior música do show), seria a que eu ganharia de presente para assistir nos ombros do boyfriend. Quando chegou o dia, quando chegou a hora, 28 músicas depois do início do show, caem as luzes e Paul entoa, no piano bonitinho, a minha Hey Jude. Prontamente caçei a máquina e gravei a música toda para a minha irmã, que tinha ficado em casa. E nunca chorei tanto. A emoção de mais de cinquenta mil pessoas cantando juntas um hino tão lindo me faz chorar agora, enquanto escrevo esse post. E escrevo não porque alguém gostaria de saber sobre isso, mas porque eu precisava desabafar sobre a emoção doida que foi assistir, na minha frente, o mesmo Paul que eu passei a vida inteira assistindo na tv, nas músicas, nos vídeos, na vontade de ter nascido nos 60's. O mesmo Paul que, junto com John, Ringo e George, ajudou a mudar para sempre os rumos da música. O mesmo Paul que, duas semanas após o show, não consegue me fazer parar de chorar. O arrepio de todos juntos entoando aquela música nunca mais vai sair da minha pele.




P.S. só não posto minha gravação da música porque o canto e o choro descontrolado estão quase vergonhosos - vergonhosos só se não fossem em frente ao Paul, lógico.
P.S.² ali na frente, bem pequena, mexendo só o braço esquerdo (porque com o outro eu tava gravando a música), estou eu. :o)