segunda-feira, 24 de abril de 2017

Agridoce

Ao passar café pela manhã
Quando ainda me despeço dos sonhos mal acordados
Lembro-me dos nossos lençóis brancos desenroscados
De nós, de tudo 
O cheiro fresco vai invadindo os cômodos, nota a tua ausência, parece te procurar.
Inocente como qualquer paixão, desesperado como um louco,
Sai do prédio e chega até a rua... Sem nada a encontrar, 
Recordo-me do momento em que pela casa eu caminhava nua...
E ao me distanciar...
a cada passo, teu desejo aumentava pouco a pouco
Silenciosamente, tu me pedias para voltar.

Eu não conhecia esse sentimento que devasta tudo aqui dentro.
É saudade, meu amor.
Te celebro todos o dias, te evoco ao cuidar do nosso jardim,
ao beber teu vinho cativo, ao ler uma poesia.
Lembro-me de ti quando estou só e sinto ainda mais a tua falta quando não estou.
Vivo contigo pelas montanhas de céu azul, onde nossos sonhos decoram o  dia
Aonde o sol nasce cedo e nós saímos de mãos dadas por entre os verdes e lilazes.
vivemos juntos em primavera dentro de mim,
em um tempo tão bonito que não tem fim.

Anseio por entrares à porta, por entrares na vida simples prometida,
Anseio pelos beijos tardios, pelo afagar da minha alma,
Para que os momentos de espera sejam lembrança agridoce.
Mas venha logo, que meus dias insones me cansam sem ti
a música toca solta pela sala e atravessa meu coração solitário que começa a tropeçar em si
Desconfio até que a vizinhança já notou e me olha com um certo pesar
Pois então, meu amor, apresse esse seu relógio
As minhas horas estão cansadas de contar.


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