"Eu acho que você já nem se lembra mais..."





"Desenho toda a calçada
Acaba o giz, tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
E, pra ser honesto,
Só um pouquinho infeliz..."
(Legião Urbana)









Baby let's cruise, no way from here
Don't be confused, the way is clear
And if you want it you got it forever!




É incrível como podemos fingir pra nós mesmos por tanto tempo. Reconhecemos no fundo aqueles sinais que indicam os verdaeiros sentimentos, porém o mais fácil é continuar seguindo e não enfrentar o medo, a mudança, a insegurança. É mais cômodo. Para Tom foi realmente muito mais confortável viver trinta anos saindo com todas as mulheres que quisesse e tendo Hanna ao seu lado como melhor amiga. Ele precisou que a vida lhe provasse o sabor do ciúmes e da perda para que ele notasse o quanto, na verdade, amava Hanna. Não parece meio ilógico? Como, se ele gostava dela, a via como amiga? E mais, como podia ficar com quem bem entendesse e colocasse Hanna para o escanteio?
É mais lógico quando pensamos que ele tinha uma insegurança enorme, portanto, ao "pegar" todas as mulheres da cidade, se sentiria mais forte, mais capaz. E Hanna era muito especial para ele, assim, Tom não poderia ter a mínima chance de perdê-la. Era melhor mantê-la lá, no porta retrato da estante como sua melhor amiga, do que tirá-la por qualquer motivo que não tivesse dado certo na hipotética história romântica.
O mais incrível disso tudo é que no fundo ele sempre soube que a amava. Simples, ele preferia passar a maior parte de seu tempo com ela e isso era insubstituível. Nenhum amigo poderia ser sequer comparado com ela. Ela era única, perfeita, inatingível. Ele não vivia sem ela, nem um dia. O que mais isso podia significar?
Eu tirei lições dessa bela história. Não adianta, não podemos manipular as ações dos outros e às vezes, nem as nossas. Por mais que tentemos, existem profundezas e abismos dentro de nós mesmos que desconhecemos, não conseguimos nos desvencilharmos do absoluto pavor de enfrentá-los. A hora certa se existir, virá. E não importa quão tarde essa hora seja, ela revelerá tudo que havia escondido no interior dos nossos sentimentos e memórias. Nenhum intervalo de tempo importará. Ao contrário, servirá para vermos o quanto aquele momento é precioso e que a vida é valiosa demais para desperdiçarmos mais um minuto separados.
Esperar a vida inteira para estarmos com alguém que realmente amamos e nos faz intensamente bem, não tem preço. No final, não importa. A felicidade é tamanha que tudo parece ter se reduzido a um dia somente e o tempo perdido construiu o que há de sólido em nossas personalidades. O preço, na verdade, é o tempo que precisamos para amadurecer e enxergar o que nos faz realmente feliz. A mentira melhor contada e a mais difícil de ser descoberta é aquela que dizemos para nós mesmos.

