segunda-feira, 31 de maio de 2010

Mais

A cada dia percebo que meus sentimentos ficam melhor explicados através de melodias do que de palavras, por mais que eu tente colocá-las em ordem correta, organizadas com a pontuação que o português manda e com a coerência que eu me esforço para conseguir. As músicas vêm tão de leve, tão suaves, as melodias sempre me desarmam e as letras traduzem momentos, sensações e bailes particulares; particulares de ambiente, particulares de sensações, de coração. As músicas suprem as lacunas e desapropriam as palavras, tomam nossas mãos, nosso silêncio e transformam o momento em beleza pura, em uma mensagem sutil e, ao mesmo tempo, na mais forte das mensagens. Cada música é carregada de significado, muitas vezes mais de um. Cada música tem sua história para contar, seus bailes para embalar e seus amores para encantar. Cada uma delas deixa um pouco de si e leva um pouco de nós. Cada uma delas tem o seu momento e essa é realmente para hoje. Para ouvir de manhã e levantar bem disposto, enfeitando a cara com um belo sorriso; porque beleza vem de dentro, e não me importa mais se hoje o céu está cinza. Eu vou sair cantarolando por aí.






P.S.- bom dia!

domingo, 30 de maio de 2010

Bem mais


Como é fantástica a sensação de flutuar enquanto os castelos, as montanhas, os céus estão desmoronando ao seu redor. Eu encontrei o mais seguro refúgio no meu sorriso. E não é fingimento. Meus anjos estão comigo, me protegendo de mim mesma e daqueles que não me querem bem. Eu não me preocupo com nada a não ser minha própria felicidade e ela não está em suas mãos. De início, é doloroso descobrir que você simplesmente se enganou com tudo. Que foram apenas cenas de um filme com roteiro, com início e final certo. Com prazo de validade prévio. Mas, já que a vida não é algo que podemos controlar, aceitei o que veio a mim com serenidade. Como aprendi a fazer com minhas batalhas perdidas. Mas não me dou por vencida, não. Afinal, na vida, não se trata de perder ou ganhar o jogo, e sim como você o joga.

E até então, lágrimas passageiras habitaram meu travesseiro, mas não mais. Nada mais disso. Hoje eu sou eu mesma, e nunca me senti tão completa. Nunca me senti melhor acompanhada. Não me sinto mais só comigo mesma. Há muito o que celebrar. Há muito pelo quê sorrir e levantar meu copo. Há tanto que você nunca vai conseguir compreender. E tudo bem, tudo é do jeito que deveria ser. Sofrer por isso é besteira se não há nada que possamos fazer para mudar os fatos. Eles falam pelas palavras que dissemos, pelas promessas que cantamos, pelos olhares que trocamos.

Tudo isso já ficou no passado. Não se faz mais presente no meu presente. E que belo presente de Deus isso é. Só restou o que é verdadeiro. Só o que devo considerar. Só o que me faz bem.
Sou bem mais do que era. Bem mais...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Dueto

"(...)
Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar
Mas se o destino insistir em nos separar
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz
Consta na pauta, no Karma, na carne, passou na novela
Está no seguro, pixaram no muro, mandei fazer um cartaz
Serás o meu amor, serás amor a minha paz"
(Chico Buarque)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Um amor maior



O bom de se estar perdido é que você pode estar perdido em qualquer lugar. Onde quer que você vá, os problemas vão com você. Pra qualquer lugar que se olhe, há sempre algo que nos faz lembrar que nada foi um sonho. Que realmente aconteceu. E que você está sozinho no meio de um labirinto, procurando pela saída, exaustivamente. O impasse invade a sua mente como um perfume numa sala pequena. Você não consegue se livrar das imagens, das cenas que se repetem na sua mente incessantemente em forma de lembraças mortas-vivas. Até que a dor é grande demais para se conseguir suportar e, então, só resta fechar os olhos e lembrar de respirar fundo. Você mal consegue se dar conta que ainda está lá. Por um momento parece que você é só a sua dor e não há espaço para mais nada. Ter o coração partido em milhões de pedaços é tão clichê. Eu detesto ambos.

E você vê a estrada que há pela frente. Um longo caminho a percorrer até que você se sinta bem de novo debaixo do céu azul. Colinas para subir e espinhos a retirar das flores colhidas. Há tanto para se aprender, para se melhorar, para se celebrar. E então, você ergue o copo e brinda com seus amigos a vida. Por um instante você está feliz e agradecido por estar vivo. Até que algo rompa o silêncio da satisfação e o traga ao poço escuro novamente. Algo inesperado que relembre o quanto você ainda se sente fraco e despreparado para enfrentar o que ainda lhe corta por dentro.

Palavras confortam, assim como tudo que lhe circunda. Porém, há sempre algo desencaixado. São as velhas promessas de sempre pairando no ar convidando você para dançar pela madrugada fria que se aproxima vagarosamente. São as lágrimas escondidas há tanto na transparência da alma. É o desespero de se sentir só, com ou sem ele. Já não faz tanta diferença tê-lo. Teria somente sua metade, quase nada. Pergunto-me porque quase nada parece tanto nessas tardes monótonas. Como pude me apegar tanto a mentiras passageiras sobre a verdade volúvel. Como pude. Há perguntas que jamais serão respondidas. Há entendimentos mais entorpecentes que eum bom vinho francês. Há mágoas que se transformarão em cicatrizes tão profundas que só o amor pode curar. Um amor maior que nós dois. O amor que trará o perdão tão desejado e tão merecido.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Trecho

"Em trabalhos práticos de física, qualquer aluno pode fazer experimentos para verificar a exatidão de uma hipótese científica. Mas o homem, por ter apenas uma vida, não tem nenhuma possibilidade de verificar a hipótese por meio de experimentos, por isso não saberá nunca se errou ou acertou ao obedecer a seu sentimento."

Me deparei com esse trecho num livro que é mais do que uma surpresa, é uma caixinha de revelações. Enquanto leio, parece que parte de mim se traduz naquelas palavras, nos sentimentos, nas agonias e tantas vezes na incerteza; pareço com o homem que se perde, com a mulher que se encontra, com quem vai e com quem vem. Me identifico em diversos papéis, cada um em sua realidade. 

A propósito, o livro é A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O Outro Lado

Pela primeira vez, em anos, sentei por vontade do lado direito do ônibus. Eu que tenho a maldita mania de só sentar do lado esquerdo, hoje decidi me determinar a ver a viagem pelo outro lado. E talvez seja sentando do outro lado que eu consiga começar a enxergar pelo outro lado. E hoje escolhi cor-de-rosa, logo cor-de-rosa que eu odeio tanto, pra contrastar com o preto que sempre me veste e tentar vencer as manias que me dominam.Talvez seja com pequenos passos que eu vá me livrar de todos os medos que me imobilizam, me deixam sem ar e não me deixam viver em paz. Talvez seja assim que eu vá começar a tomar minhas próprias decisões e escolher sozinha qual o lado do ônibus que quero sentar. E talvez a partir disso eu possa começar a escolher não só o lado do ônibus ou a cor da roupa, que as minhas manias quase sempre determinam, mas eu possa escolher também quem vai caminhar comigo e não mais deixar que os meus medos paralisantes escolham por mim o que eu quero ou o que devo fazer da vida. É pouco, mas hoje estou de rosa. E hoje estou do lado direito. Quem sabe o primeiro passo era o empurrãozinho que eu precisava para fazer as coisas funcionar. É sempre a partir do primeiro passo que se aprende a caminhar e, dessa vez, caminhar com as próprias pernas.


Mude

"Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.

Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.

Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.

Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.

Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.

Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.

Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.

Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda !

Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco,
sem o qual a vida não vale a pena."
(Clarice Lispector)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Prato do Dia

"Como arroz e feijão, é feita de grão em grão
Nossa felicidade como arroz e feijão
A perfeita combinação soma de duas metades
Como feijão e arrozque só se encontram depois de abandonar a embalagem
Mas como entender que os dois
Por serem feijão e arroz
Se encontram só de passagem
Me jogo da panelaPra nela eu me perder
Me sirvo a vontade... que vontade de te ver
O dia do prato chegou é quando eu encontro você
Nem me lembro o que foi diferente!
Mas assim como veio acabou e quando eu penso em você
Choro café e você chora leite"
O Teatro Mágico

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Perfeitamente Sozinho

"Nothing to do
Nowhere to be
A simple little kind of free
Nothing to do
No one to be
Is it really hard to see

Why I'm perfectly lonely
I'm perfectly lonely
I'm perfectly lonely
I'm perfectly lonely
'Cause I don't belong to anyone
Nobody belongs to me

And this is not to say
There never comes a day
I'll take my chances and start again
And when I look behind
On all my younger times
I have to thank the wrongs that led me to a love so strong"

John Mayer e suas sábias palavras.

Nem sempre

Meu sorriso foi verdadeiro e o meu olhar, transparente. Nem sempre as pessoas que eu escolhi foram aquelas que optaram por permanecer do meu lado. O lugar delas realmente não era junto do meu peito. Nem sempre cuidei de corações alheios da maneira que eles mereciam, embora tenham sido nada mais que provações para ambos os lados. Nem sempre acertei, mas era preciso errar para aprimorar minhas virtudes e reconhecer falhas. Por isso, deixei a culpa para trás porque aprendi a ser melhor plenamente. Nem sempre as escolhas que fiz foram as corretas, mas foram as que eu precisava fazer naquele momento de aprendizagem. Nem sempre meu sonho se realizou, minha opinião foi aceita. Nem sempre fiz o que eu quis. Por medo, por insegurança, por egoísmo. Não vivemos exatamente o que sonhamos, vivemos o que cativamos, o que nos foi guardado, o que nos foi destinado e merecido. Geralmente, sofremos quando esperamos mais do que alguém pode dar. O ideal é não esperar nada de ninguém e se surpreender a cada ato inesperado. Devemos perdoar, acima de tudo, e nos sentirmos gratificados por tudo aquilo que Deus nos destinou, porque nada na vida é por acaso. Não devemos esquecer que as pessoas que nos cercam são humanas e estas erram, assim como nós poderíamos errar ou já erramos anteriormente. A compreensão é uma dádiva. Todos nós somos felizes com nossa presença unicamente e para todos nós o Sol continua brilhando, de maneira diferente a cada manhã, porém com muito calor. Nem sempre saí ganhando o que queria, embora tenha ganhado muita sabedoria com as discórdias e desventuras. Devemos saber perder. Devemos viver e aproveitar o que a nós foi oferecido, sem mais demais e apesar de todos os apesares.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Eu Te Amo

"Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir"
(Antônio Carlos Jobim e Chico Buarque)

Contas

Adoro os dias quando eu acordo e penso com clareza. São poucos os dias que consigo organizar meus pensamentos como tópicos, como pautas. São raríssimos os dias que eu consigo pensar nos fatos separadamente e evitar aquela mistura confusa e até engraçada de sentimentos. Hoje eu não tô atando um fato a outro, parei de fazer associações e consigo enxergar as coisas em sua forma mais simples sem precisar de imensas equações e ladainhas sem fim que muitas vezes não me levam a lugar nenhum.

Por outro lado, quanto mais clara fica a minha cabeça, menor a qualidade das coisas que eu consigo escrever. A minha essência precisa, eu acredito, de um teor constante de confusão para funcionar do jeito que sempre funcionou. De uns tempos pra cá, ando com essa mania de simplificar tudo e ficar agoniada quando não consigo resolver minhas equações sentimentais. Há um tempo atrás, as contas complexas eram a minha diversão e a certeza do meu conhecimento... Mas acho que vamos envelhecendo e, por mais que ainda não apareçam rugas pelo meu rosto, meus sentimentos já estão um pouco retraídos e enrugados, daí a necessidade da simplificação excessiva, como se todas as sensações fossem cálculos matemáticos cujo objetivo é chegar no mínimo múltiplo comum. Um mais um nem sempre é dois nas contas do coração, por isso não é confiável contar sempre com nossa balança racional no que diz respeito aos assuntos emocionais. Tenho que aprender a equilibrar a calcudadora da mente com a balança do coração, coisa que eu nunca soube fazer. Talvez por medo, por insegurança, por qualquer coisa.

Tenho medo de me entregar às coisas que sinto, isso é fato. Tenho medo de não ser recíproco o que sinto. Tenho a necessidade da retribuição, infelizmente eu ainda estou muito longe daquela evolução que permite, em todas as situações, amar sem ser amado. Ainda preciso de um pouco mais de equilíbrio e de um voto de confiança e rendição, para que eu pare de desconfiar de tudo e de todos; preciso voltar a levar na flauta os descaminhos e desencontros. Preciso parar de calcular, de encontrar mínimos para aquelas coisas que deveriam ser máximos. Eu preciso, de verdade, de um pouco de sanidade. Um pouco de sanidade pra recobrar minha insanidade natural. Aquela, que me ditava o ritmo e que me faz tanta falta; aquela, cuja falta me faz perceber que o mundo pode pesar mil toneladas nas costas, se não soubermos como dançar com ele.


Tiro ao Álvaro


Só porque é um doce essa musiquinha.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Vontade não falta de escrever aqui. O que falta é um pouco de descanso pra essa cabecinha que precisa por as coisas nos seus devidos lugares, antes de começar a transcrever todos os pensamentos malucos e desordenados que aparecerem. Quando a casa estiver em ordem, eu volto. Minha cabeça está um turbilhão de informação.

domingo, 16 de maio de 2010

Mamma Mia

"Mamma mia, here I go again
My my, how can I resist you
Mamma mia, does it show again
My my, just how much I've missed you
Yes, I've been brokenhearted
Blue since the day we parted
Why, why did I ever let you go
Mamma mia, even if I say
Bye bye, leave me now or never
Mamma mia, it's a game we play
Bye bye doesn't mean forever"
ABBA

Olha

"Olha você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei prá mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo, eu gosto mesmo assim
Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui
Olha você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
E eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é prá valer
Olha, vem comigo aonde eu forS
eja minha amante, meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor"

Palavras fáceis


Tem momentos que ao fechar meus os olhos não vejo nada além de incertezas. Descobri-me em um desses momentos, mesmo numa fase de certezas quase absolutas. A sensação de que tudo mudará, de repente. Talvez a calmaria de um lago não caiba realmente em uma mente cheia de quedas como a minha.
Uma vez, me disseram que eu era um barco a vela. Ainda preciso refletir sobre essa colocação, esta de uma pessoa que me conhece bem. Pois não creio que eu me ajuste realmente ao vento e, muito menos, saiba dar todos aqueles nós complicados a fim de manter minhas velas certas para meu barco ir na direção que eu desejo. Todos os meus planos não deram certo. E de alguma forma, não me arrependo de não ter me esforçado pra que dessem. Não era verdadeiro. Em algum ponto eles eram falhos, se não, teriam funcionado, não é mesmo? A verdade é que a vida toma conta da gente, de uma forma ou de outra. A verdade sempre bate a nossa porta, mais cedo ou mais tarde nos fazendo enxergar o que não queríamos ou não conseguíamos tolerar. Não sem dor.
E de que vale uma vida baseada em mentiras? Baseada em palavras? Palavras são fáceis. São mentirosas e discretas. Elas são parte das histórias que eu sempre montei na minha cabeça, desde criança, como um quebra-cabeça impreciso. Antes de dormir eu imaginava inúmeras histórias, cenas vindas de nenhum lugar com personagens que eu gostaria que fizessem parte dessa magia, e, sinceramente, não somente da minha história criativa, mas da minha vida. Desejava que apresentassem um significado maior do que realmente possuíam. Nas minhas fantasias eles falavam coisas que jamais cogitaram em falar. Frases românticas harmonizadas com belas palavras shakespearianas. Socorriam-me de apuros, me lançavam em aventuras incríveis, ou simplesmente me encantavam com gestos simples de carinho e cuidado. Coisas que nenhum deles fez. E nem pensou em fazer. E foi assim que vivi até agora, suportando a apatia das pessoas, a falta de sensibilidade, de romantismo, de um comportamento espontâneo no meio dessa massa de gente bitolada por regras sem propósitos os quais façam o coração bater mais forte. O que pra mim, é o essencial. É a razão única e honesta de estarmos na Terra. Para amarmos de todas as formas da maneira mais intensa que soubermos fazer. E eu, bem... Eu não encontrei maneira melhor do que minhas histórias tolas. Mas estou começando a cansar delas. Estou exausta de imaginar o que eu adoraria que fizessem. Estou farta de palavras. Quero alguém que me torne real. Que torne minhas histórias reais. Não quero mais que minha imaginação seja a melhor parte do meu dia. Que seja o que há de extraordinário no ar que respiro. Meu refúgio, minha metade. Talvez um dia ponha todas essas histórias dentro de um livro pra que as pessoas possam também sonhar com elas e usá-las como um esconderijo secreto a fim de combater a monotonia daqueles que não são criativos o suficiente para reinventar a vida e o amor. Para recriarem a paixão, todos os dias, todos os minutos. E enquanto bastar, que isso as faça felizes e satisfeitas, mesmo que seja de olhos bem fechados.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Desabafo

Hoje passei a tarde cantarolando essa música, então resolvi compartilhar aqui...

"(...)
Você é mesmo essa mecha
De branco nos meus cabelos
Você prá mim é uma ponta
A mais dos meus pesadelos...

acontece que eu
Não sei viver sem você
Às vezes me desabafo
Me desespero, porque...

Você é mais que um problema
É uma loucura qualquer
Mas sempre acabo em seus braços
Na hora que você quer..."

(Roberto e Erasmo Carlos)

Deserto

Te conheci cedo demais
"Cedo demais prá imaginar
Que um dia o tempo
Iria voltar atrás
Só prá te buscar
Agora eu já posso dizer
Que o que eu busquei
Está dentro de você
Eu já cansei de procurar
O que eu não encontro
Em nenhum lugar

Só agora entendi
Que estava no futuro
O que no passado não vi
O teu amor maduro
Pois meu coração
É um deserto sem você

Mais longe do que perto
Não tem razão, nem porquê
Se estou errado ou estou certo
Isso eu não quero saber
Pois meu coração
É um deserto sem você"
Izmália
Quando minhas palavras já não brotam, encontro a chuva para suprí-las.

O melhor de nós


Algumas pessoas despertam o melhor de nós. Entre tantas as pessoas que há no mundo, apenas algumas conseguem despertar o nosso coração para os melhores sentimentos. São aquelas pessoas que entram nas nossas vidas arrombando a porta ou de mansinho pelo canto, são aquelas que tomam todo o espaço ou aquelas tímidas que invadem aos pouquinhos, com delicadeza. Não consigo formular uma equação que resolva o problema: qual o tipo de pessoa que consegue nos encantar? Encontro poucas semelhanças entre as poucas pessoas que me fascinam e isso me faz crer ainda mais naquelas coisas que não podemos enxergar. 
Acredito que as pessoas que nos despertam tamanho encantamento são aquelas que vibram na mesma frequência, que entram em sintonia com nossos sentimentos e esperanças. Acredito que, com elas, podemos ser o melhor que conseguimos ser. Com elas, acordamos para as coisas realmente importantes, para os sentimentos verdadeiros, para as felicidades diárias e para o otimismo insuperável. Vestimos as capas de herói, podemos ser soldados, podemos ser deuses, podemos ser santos. Com elas, podemos ser tudo e até um pouco mais. Com elas, a vida vale a pena e certamente vamos mais longe.
Podem ser amigos, amores ou amantes. Podem ser de longas datas ou muito breves, mas isso não importa pois,  por alguma razão invisível, essas pessoas nos cativam e nos fazem perceber o brilho da vida. Por pessoas assim, percebemos mais cores e aprendemos que a vida pode ser muito mais vida se tivermos essas companhias deliciosas para nos deleitarmos durante a breve estadia nesse plano. Com essas criaturas abençoadas, somos os melhores amigos e as melhores companhias, damos a elas tudo de melhor que podemos oferecer. Vibramos na mesma sintonia, emanamos as mesmas energias e por isso talvez sejamos tão parecidas, apesar de tão diferentes. Pessoas distintas com almas semelhantes, com objetivos semelhantes, nos fazem realizar que o mundo pode ser muito mais do que uma breve passagem e sim uma inesquecível experiência; nos fazem crer que a vida é boa para aqueles que assim a desejam. Que recebemos aquilo que emitimos e, como Saint-Exupéry eternizou, somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos.

Se queremos o bem, o bem vem para nós. Em energias, em situações e, principalmente, em presentes.
Presentes em forma de gente, os presentes mais raros e preciosos que alguém pode ter.

Sorte a minha de vocês existirem.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Diariamente


"(...)
Para o outono, a folha: exclusão
Para embaixo da sombra: guarda-sol

Para todas as coisas: dicionário
Para que fiquem prontas: paciência
Para dormir a fronha: madrigal
Para brincar na gangorra: dois."
(Marisa Monte)